COMUNIDADE BAHÁ'Í DE CAMPINAS

Reflexões sobre o crescimento: boletim 34

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Reflexões sobre o crescimento – Número 34 (Edição especial) – Abril 2015

Relatos de Tanna, Vanuatu, depois de um ciclone tropical

Havia pouco menos de um ano que, por ocasião do Ridván de 2014, a Casa Universal de Justiça descreveu o processo de construção de uma comunidade vibrante ocorrendo em Tanna, Vanuatu – uma das cinco comunidades designadas para eregir uma casa de adoração local. Na sua mensagem, a Casa de Justiça ilustrou o movimento desta comunidade: um movimento que está “​especialmente em evidência nos agrupamentos em que deverá ser estabelecido o Mashriqu’l-Adhkar local1​ ​”. Deles é uma história de transformação e esperança, que é possível quando a comunidade compartilha uma visão clara para uma sociedade mais justa e solidária. Quanto a Tanna, a Casa Universal de Justiça escreve: “​há muitas indicações de que, quando elementos do marco estrutural de ação do Plano são combinados num todo coerente, o impacto sobre uma população pode ser profundo2​ ​”.

Em 13 e 14 de março de 2015, um severo ciclone tropical varreu o arquipélago de Vanuatu. E Tanna – uma das ilhas deste arquipélago – estava bem no caminho da tempestade. O dano foi extenso e a comunicação em toda a ilha foi cortada. Na esteira da crise, quando as famílias perderam muitos dos seus bens materiais, os afetados pela tempestade estão trabalhando em conjunto com grande coragem e determinação para fazer avançar o processo de reconstrução.

Em estreita colaboração com os seus amigos, vizinhos, organizações governamentais e não governamentais, membros da comunidade bahá’í em Tanna estão contribuindo avidamente para muitos aspectos do trabalho a ser feito. As capacidades que eles desenvolveram ao longo do tempo, por meio da participação no processo de instituto e sua aplicação de ensinamentos bahá’ís para a vida da sociedade, são evidentes. Um espírito de serviço altruísta tem caracterizado os esforços para resolver as necessidades materiais e espirituais imediatas da comunidade, no rescaldo da tempestade. Pré-jovens, jovens e adultos estão ajudando a reconstruir as casas, trazer de volta à vida hortas danificadas e cuidar dos idosos, levando toda bondade e conforto possível aos seus vizinhos. Em todo tempo, as aulas das crianças e grupos de pré-jovens continuam acontecendo. A profunda confiança em Deus e no poder da oração manifestam-se nas muitas reuniões para adoração coletiva que foram realizadas, tanto durante as horas do ciclone quanto nas semanas que se seguiram. Como a tempestade estava passando, os crentes iriam continuar a acordar de madrugada para se prepararem para os dias do jejum. E alguns dias depois, o Naw-Rúz foi alegremente comemorado com vizinhos e amigos. Na resposta da comunidade, vemos o poder latente de um processo que permite a milhares de pessoas entrarem em contato com a Palavra de Deus e de Bahá’u’lláh.

Embora a Casa de Adoração em Tanna ainda não tenha sido construída fisicamente, as condições espirituais necessárias para a sua construção tem existido na comunidade desde 2012, quando a Casa Universal de Justiça anunciou o seu estabelecimento. Ao refletir sobre a experiência da comunidade, as palavras da Casa de Justiça ao descrever a instituição da Casa de Adoração vêem à mente: “Como um local donde devem se irradiar forças espirituais, o Mashriqu’l-Adhkár é um ponto focal para dependências a serem erigidas para o bem-estar da humanidade e é a expressão de uma vontade comum e anseio por servir.3​ ​”.

Esta edição especial de “Reflexões sobre o Crescimento” baseia-se em relatos reunidos por dois crentes de outra região do país que visitaram Tanna nos dias após o ciclone atravessar a ilha. Esperamos que estas histórias inspirem todos os crentes, jovens ou velhos, a se levantarem para a promoção do Plano, totalmente seguros de que, ao fazerem isso, eles estarão participando da construção de uma civilização divina.

Nakanyelo

Em 25 de março de 2015, chegamos à Aldeia Nakayelo, na ilha de Tanna, a aldeia onde o Instituto de Formação está situado. Caminhamos em direção à vila e ao Instituto de Capacitação desde a estrada principal. A estrada estava tão irreconhecível que perdemos o caminho para o Instituto de Capacitação. Nós finalmente encontramos Mama Sapai à uma certa distância — uma bahá’í idosa e um dos cuidadores do Instituto de Capacitação. Ela largou tudo o que estava carregando, correu em nossa direção e
abraçou a todos com alegria e lágrimas em seus olhos. Ela queria saber como estávamos e estava mais preocupada conosco do que com ela mesma. Ela levou-nos para a aldeia. Todas as casas da aldeia foram arrasadas. A casa do chefe, a casa de Tom Wapin, sua cozinha, a casa de Serah e José;; todas tinham desaparecido. Não havia ninguém para ser encontrado. Todos haviam se refugiado em uma vila próxima. Nós andamos ao redor da aldeia e não conseguimos encontrar as crianças brincando, as mães conversando, cozinhando ou tecendo seus tapetes.

Decidimos, então, ir para o Instituto de Capacitação. O caminho para o Instituto estava bloqueado por árvores quebradas em todos os lugares. Mama Sapai nos levou para o local, e vimos outra cena devastadora. O Centro Bahá’í, em que muitas atividades foram realizadas ao longo dos anos, os dormitórios, a cozinha, a casa de Mama Sapai e a casa de outro zelador foram todas arrasadas. Nada foi poupado. Nós recolhemos o sistema de energia solar restante, e Mama Sapai foi capaz de encontrar algumas de suas coisas – um balde, alguns pratos e uma barraca. Voltamos para a aldeia e levantamos nossa barraca para passar a noite. Estávamos todos tristes e fomos consolar uns aos outros, porém, todos nós choramos sozinhos.

Na parte da manhã, vimos um jovem bahá’í aproximando-se da aldeia. Ele foi até o local onde uma vez sua casa estava e começou a procurar por algo sob os escombros. Parecia que ele estava à procura de algo muito importante para ele. Ele finalmente encontrou uma caixa de metal que o pertencia. Estávamos o observando à distância e nos perguntando o que estava dentro da caixa. Abriu-a com muito cuidado e tirou um livro do instituto que estava encharcado em água. Abriu-a e olhou para ele. Parecia que ele estava se lembrando da vez que ele estudou esse curso. Ele o colocou cuidadosamente ao sol para secar. Ele então pegou outro Livro do Instituto da caixa e colocou sob o sol, e depois outro. Ele, então, tirou o livreto da conferência de jovens e fez a mesma coisa. Ele finalmente tirou o livro de oração. Abriu-o com muito cuidado página da imagem de ‘Abdu’l-Bahá e o colocou ao sol com a maior reverência. Ele ficou muito feliz ao ver que alguns dos livros de pré-jovens debaixo da caixa não estavam totalmente molhados.

Fomos para outra aldeia, onde o povo de Nakayelo se refugiara durante o ciclone. Eles haviam estado lá por mais de uma semana. Uma das mães, chamada Serah, nos disse que seu filho de quatro anos de idade, Ramu, aproximou-se dela no outro dia e pediu para que o ensinasse o resto da citação, ​”​Deixai vosso coração incendiar-se de afetuosa bondade por todos aqueles que cruzarem vosso caminho​”, que ele tinha memorizado anteriormente. Serah ensinou-lhe a outra parte da citação. Ele saiu para brincar e voltou mais tarde para sua mãe pedindo que o ensinasse mais. Serah nos disse que a sede de seu filho pela educação espiritual foi um despertar para ela. Ela decidiu agora voltar para sua aldeia imediatamente, construir sua casa, e retomar sua aula de crianças novamente. Também nos disse que, logo após o ciclone, os bahá’ís organizaram um encontro devocional para todos os que se refugiaram nesta aldeia. Fomos informados de que este encontro devocional foi realmente uma experiência reconfortante para todos.

Namasmetene

De um casal​: “Durante o ciclone muitas pessoas perceberam que suas vidas dependem da vontade de Deus e não das coisas materiais que eles têm reunidas em torno deles. Durante o ciclone todos voltaram seus corações para Deus e suplicaram Suas bênçãos e proteção, mesmo aqueles que nunca tinham rezado.

Achamos que agora os projetos de pré-jovens se tornarão mais significativos e mais sistemáticos, respondendo às necessidades da comunidade. Os pré-jovens precisam continuar a pensar sobre projetos agrícolas e sociais para trazer uma mudança duradoura para a nossa comunidade.

Como os ventos estavam soprando, lemos a oração revelada por Bahá’u’lláh para calamidades. Esta oração nos lembrou que, embora o ciclone seja muito poderoso, o poder de Deus é muito maior. À medida que repetíamos esta oração, a nossa confiança em Deus multiplicou, e sabíamos que Bahá’u’lláh iria proteger nossas vidas. É verdade que o ciclone danificou nossas casas, jardins, fazendas de café, as plantações de sândalo, nossas fontes de renda. Mas o ciclone nos ajudou a perceber que não se deve estar apegado às coisas deste mundo e que devemos estar conscientes do propósito de nossa vida.

Logo após o ciclone a juventude começou a ajudar os idosos e as pessoas em necessidade. Os pré-jovens e os graduados do programa de pré-jovens se reuniram e começaram a construir abrigos para as pessoas. Alguns destes abrigos foram usados para a realização de reuniões devocionais. Durante anos nós estávamos planejando realizar uma reunião devocional na aldeia que abraçasse todas as pessoas, mas não foi possível – nem todos responderam positivamente ao nosso convite. Agora, depois do ciclone, fomos capazes de realizar uma reunião devocional em que todos participaram. Isto é um resultado positivo do ciclone. Anteriormente, alguns dos membros da nossa comunidade estavam envolvidos em disputas de terra.

Depois, muitas dessas pessoas disseram que estavam muito longe de Deus, e agora eles percebem que eles têm que esquecer suas disputas. Agora muitas pessoas estão focadas na cooperação e harmonia. Este é mais um resultado positivo do ciclone.

Agora a nossa Assembleia Espiritual Local vai se reunir e liderar o processo de reconstrução para a comunidade seguir adiante. Sabemos que não devemos depender da ajuda de doadores, mas que devemos cuidar de nosso próprio desenvolvimento. Para o processo de reconstrução, vamos usar as mesmas ferramentas e instrumentos que usamos para a expansão e consolidação da nossa comunidade. Vamos trabalhar em ciclos de três meses. Precisamos garantir que tanto os aspectos espirituais quanto materiais de nossas vidas avancem durante o processo de reconstrução. Os animadores realizarão seu encontro de animadores, e os grupos de pré-jovens realizarão a sua reunião de grupos e começarão seus projetos de serviço. Esses projetos vão incentivar os membros da comunidade para se levantarem e tomar conta do processo de reconstrução, em vez de esperar por uma agência de ajuda.

Durante o ciclone os pré-jovens que participaram do programa estavam totalmente envolvidos em servir aos demais, assegurando que todo mundo estivesse em segurança, especialmente as crianças e os idosos. O programa tinha elevado sua capacidade para servir a sua comunidade e para ajudar os outros antes de ajudar a si mesmos. Os pré-jovens têm desenvolvido a capacidade de ver as necessidades reais da comunidade e de agir para atender a essas necessidades.

Outra coisa que o grupo de pré-jovens fez logo após o ciclone foi incentivar e ajudar as pessoas a voltarem para seus jardins e começar a replantar o que o ciclone tinha danificado, e para salvar as plantas que estavam danificadas pelo sol. O grupo iria para o jardim de cada família na parte da manhã para ajudá-las com o replantio. ​Dessa forma iriam se assegurar que depois de três meses eles teriam comida suficiente para sobreviver.

Durante o ciclone quase todas as casas da aldeia foram arrastadas, e as pessoas tiveram que se refugiar em uma escola vocacional nas proximidades. A juventude e os pré-jovens ajudaram a carregar as crianças e os idosos para o escola. Enquanto os fortes ventos estavam soprando, pudemos ver claramente a capacidade dos pré-jovens que tinham participado do programa. Eles demonstraram um espírito de abnegação em ajudar aos outros, garantindo que todos estivessem seguros. Quando eles trouxeram todos para as escolas, eles permaneceram perto da porta, sob a chuva, para proteger a todos. Eles acenderam fogueiras para garantir que todos estivessem aquecidos, secos e alimentados. Eles não apenas cuidaram de suas próprias famílias, mas de tudo. Muitas famílias ainda estão lhes agradecendo por seus serviços dizendo que, se não fosse pela ajuda deles, não teriam sobrevivido. Esses atos de serviço foram realizados pelos pré-jovens mais velhos e pelos egressos do programa de pré-jovens. Quando uma criança tinha que ir ao banheiro, eles a acompanhavam até lá fora, esperavam e, em seguida, retornavam com a criança para a escola. Eles não se importavam qual pessoa fosse, eles serviram a todos igualmente. No dia após o ciclone, um dos pré-jovens nos disse que o ciclone aprofundou a compreensão dos amigos sobre a importância de se cuidar de todos.

O ciclone nos atingiu durante o jejum. Apesar do ciclone e de seus ventos devastadores, os crentes ainda permaneceram em
jejum. Poucos dias depois do ciclone, celebramos o Naw-Rúz em nossos bairros com os amigos. Durante a celebração sentimos que os nossos espíritos estavam tão elevados como sempre. Não foram afetados ou desencorajados pelo ciclone. Comemoramos o
Naw-Rúz com a maior alegria e felicidade. Durante a celebração, os amigos foram encorajados a iniciar o processo de reconstrução imediatamente. Fomos encorajados a permanecer felizes e contentes com a Vontade de Deus. Após o Naw Rúz, cada família bahá’í começou a reconstrução de seus jardins e casas. No dia de Naw-Rúz visitamo-nos uns aos outros, naquilo que havia sobrado das nossas casas”.

e um animador de um grupo de pré-jovens​: “Logo após o ciclone, o meu grupo de pré-jovens se reuniu para limpar as estradas. Elas foram cobertas com árvores quebradas. Não temos dúvida de que fomos salvos por meio das orações e das bênçãos que recebemos através delas. Os pré-jovens ajudaram o povo a reconstruir suas casas e a limpar seus quintais. Alguns foram para o Centro Bahá’í para salvar o que restou.

Os ventos começaram a soprar mais forte no alvorecer. Sabíamos que tínhamos que correr para a escola em busca de refúgio. Mas primeiro fizemos nossas orações no alvorecer em preparação para o dia de jejum, antes de correr para a escola através dos galhos quebrados e objetos voando. Enquanto estávamos dizendo nossas orações, o telhado da nossa casa estava sendo soprado pelos ventos. Estávamos determinados a jejuar naquele dia. Poucos dias após o ciclone, comemoramos o Naw-Rúz no nosso bairro com alegria e felicidade.

Agradecemos a Deus que ninguém em nossa comunidade morreu ou ficou gravemente ferido. As orações realmente salvaram a todos nós. Realmente agradecemos a Deus por Sua ajuda e bênçãos.

Launare

Nós visitamos uma família bahá’í em Launare. Este casal de idosos serviu como pioneiros por alguns anos na aldeia Imapusine. Sua casa foi destruída durante o ciclone, e eles tiveram que correr para uma casa vizinha, que ofereceu refúgio para muitos outros. A fim de salvar a vida de seu neto de poucos meses de idade, eles esconderam o bebê dentro de uma mala e correram para outra casa em busca de refúgio. Quando nos despedimos, a família nos deu um presente. Apesar da escassez de alimentos, sua generosidade e amor não conhecia limites.

Enquanto caminhávamos na aldeia nos deparamos com uma família bahá’í vivendo em um pequeno galpão. Tudo o que restou de sua casa eram as duas paredes feitas de bambu. Uma das paredes estava decorada com o Máximo Nome e uma foto de ‘Abdu’l-Bahá.

Imafin

Chegamos na vila Imafin, uma área fortemente afetada pelo ciclone. Os bahá’ís desta vila enfrentaram uma feroz oposição dos habitantes e chefes da aldeia cerca de 10 anos atrás. O Centro Bahá’í foi confiscado e os bahá’ís foram ameaçados a terem que negar a sua fé. Mas eles se mantiveram firmes e pacientes até que recuperaram a liberdade de praticar sua fé.

Ao se aproximar da aldeia, vimos que foi quase completamente destruída. Finalmente chegamos na seção da aldeia onde a maioria dos bahá’ís residia e onde

o Centro Bahá’í costumava estar antes do ciclone. O Centro Bahá’í e as casas das pessoas não existiam mais.

Quando os amigos nos viram se aproximando , eles correram em nossa direção chamando em voz alta, “Allah’u’Abha, Allah’u’Abha”. Uma senhora bahá’í não podia parar de repetir “Allah’u’Abha” e nos abraçar com lágrimas nos olhos. Foi realmente um encontro muito emocionante. Em pouco tempo estávamos cercados por muitos crentes, todos nos saudando com emoção e amor. Fomos levados a um galpão, a única sombra que pode ser encontrada. Os amigos vieram um por um, até o galpão ficar pequeno demais para acomodar a todos. Então, nos conduziram para a casa de um dos crentes, que era a única casa que tinha resistido aos ventos violentos. Eles nos disseram que esta casa tinha salvado a vida de 157 pessoas. Os três quartos da casa ficaram tomados por pessoas, em cada quarto as pessoas estavam orando enquanto os ventos estavam soprando. Os amigos
partilharam conosco a sua experiência com o ciclone e como as suas casas, jardins e pertences foram perdidos dentro de uma questão de poucas horas.

De uma mãe na aldeia​: “Quando os ventos estavam soprando, meu filho de seis anos, Furútan, chamou em voz alta: “Por favor, ‘Abdu’l-Bahá, ajude-nos. A nossa casa já se foi, por favor, faça os ventos pararem, ‘Abdu’l-Bahá.” Ele, então, rezava e repetia “Yá Bahá’u’l-Abhá” e as orações que começam com ‘Há quem remova as dificuldades …’ e ‘Ó Deus, guia-me, protege-me…’ “.

Depois do ciclone, nossa Assembleia Espiritual Local fez um plano para celebrar o Naw-Rúz. Os chefes e todo o povo da aldeia foram convidados a celebrá-lo conosco. Muitos crentes jejuaram durante o ciclone, e as pessoas na nossa celebração de Naw-Rúz comentaram que no próximo ano eles irão se juntar aos bahá’ís em jejum. Compramos um saco de arroz e matamos uma vaca para comemorar o Naw-Rúz. Quando os amigos foram para o rio, eles encontraram uma grande enguia. Nós nunca tínhamos visto uma enguia neste rio. Sabíamos que era um presente de Deus. Nós a pescamos, preparamos e partilhamos entre os amigos durante Naw-Rúz. Nós estamos tão felizes que, apesar do ciclone, jejuamos e concluímos nosso jejum com as celebrações do Naw-Rúz. Estamos confiantes de que qualquer coisa que perdemos no ciclone vamos recuperar por meio das bênçãos de Bahá’u’lláh. Durante as celebrações, compartilhamos com as pessoas que em breve vamos reiniciar o processo educativo espiritual na vila – aulas das crianças, os grupos de pré-jovens e os círculos de estudo. Logo após o ciclone, a comunidade ajudou na limpeza das estradas, replantando os jardins, e na reconstrução das casas. Amanhã nossa Assembleia Espiritual Local vai se reunir novamente para fazer planos para começar o processo educacional urgentemente. Já colocamos um pequeno galpão que está servindo como o nosso Centro Bahá’í temporário, onde as atividades serão realizadas.

Depois de encontrar os amigos, uma de nós foi abordada por um idoso que tinha 88 anos. Ele se aproximou com a máxima humildade e respeito. Ele sussurrou que ele queria contribuir com seu Huqúqu’lláh. Ele, então, deu um saquinho plástico com um punhado de moedas. Como estávamos prestes a sair, o mesmo idoso insistiu em nos dar um presente para nos agradecer pela visita: uma galinha.

Ehniu

De um crente local​: “Durante o ciclone, eu escondi a ‘foto de Abdu’l-Bahá em um lugar seguro para que o ciclone não a prejudicasse. Como os ventos foram ficando mais fortes, eu estendi a mão para a foto, levantei-a, e pendurei em casa novamente. Quando os ventos atingiram sua força total, segurei a foto em minhas mãos, olhei para os olhos de ‘Abdu’l-Bahá e supliquei proteção. Ao longo do ciclone, eu segurei Sua foto em minhas mãos enquanto orava. Não tenho dúvidas de que foi a proteção divina que salvou nossas vidas.”

Lowinio

De um crente local​: “Quando o ciclone veio estávamos todos fazendo jejum. Todos entraram em um pequeno quarto e começaram a rezar. Todos se revezaram orando ao longo do tempo, os ventos estavam soprando. A imagem de ‘Abdu’l-Bahá foi pendurada na sala, e nós sabíamos que Ele estava conosco. Durante este tempo estávamos todos confiante de que Bahá’u’lláh iria salvar as nossas vidas. Quando passou o ciclone, nós saímos e vimos a devastação que o ciclone tinha deixado para trás. As casas e os jardins foram todos embora.

Depois de alguns dias fizemos o nosso plano para comemorar o Naw-Rúz. Compramos três sacos de arroz e um dos amigos doou um grande porco. Convidamos todos na aldeia para se juntar a nós para o Naw-Rúz. Fomos até o lugar onde era o Centro Baha’i para limpar e comemoramos o Naw-Rúz. O lugar estava cheio de pessoas. Cantamos e dançamos o dia e a noite inteira. Foi um dia muito especial.

Isla

À medida que aproximamos da aldeia Isla, vimos três jovens bahá’ís de Isla caminhando na direção oposta sob um sol forte. Perguntamos para onde estavam indo, e eles disseram que estavam indo para uma vila próxima para conduzir as aulas de crianças e grupos de pré-jovens. Mais tarde na aldeia, vimos que suas casas haviam sido destruídas e ainda não haviam sido reconstruídas.

Tumah Mine

De três amigos locais​: “Nossas casas foram sendo levadas uma a uma. Decidimos nos refugiar na escola da aldeia próxima. Tivemos de caminhar por cerca de um quilômetro. Ia ser um caminho muito perigoso como muitas árvores grandes e galhos caindo, e os objetos estavam voando por toda parte. Orei e pedi a Bahá’u’lláh para por favor nos proteger, especialmente nossos filhos. Às vezes tínhamos que correr, às vezes nos rastejamos, e outras vezes, ficamos deitados. Estavámos confiantes de que seríamos protegidos, pois sabíamos que Bahá’u’lláh estava conosco o tempo todo. Finalmente chegamos na escola. Todos estavam à salvo. Enquanto estávamos indo para a escola, os nossos pensamentos e corações estavam com Bahá’u’lláh. Quando compartilhamos a nossa experiência com os amigos que já haviam se refugiado na escola, todos choraram.

Meu marido e eu acordamos ao amanhecer para fazer nossas orações e para tomar café da manhã, em preparação para o jejum. Os ventos foram ficando mais e mais fortes. Quando o ciclone se aproximou, eu coloquei minhas posses mais queridas na minha bolsa – o meu livro de orações e um livro instituto – e com os meus filhos corremos para a escola em busca de refúgio. Eu garanti que o meu livro de orações não ficaria molhado. Os ventos eram muito fortes. Foi uma caminhada muito perigosa. Alguns quase foram levados pelos ventos ou atingidos pela queda de árvores.

Poucos dias após o ciclone, planejamos comemorar o Naw-Rúz. Não poderíamos usar o Centro Bahá’í, uma vez que foi completamente destruído. Levantamos um pequeno abrigo para a celebração. Um dos amigos doou um porco, e conseguimos um pouco de arroz. Comemoramos o Naw-Rúz com nossos amigos e vizinhos da aldeia.Explicamos que o jejum é uma das leis de Bahá’u’lláh e sua observância atrai bênçãos divinas. Durante o Naw-Ruz os amigos compartilharam suas experiências do jejum. Estávamos todos muito felizes em comemorar o Naw-Ruz juntos.

Antes do ciclone, meu grupo de pré-jovens tinha muitos projetos de serviço. Eles limparam a fonte de água da aldeia e plantaram árvores de nozes. Após o ciclone, os pré-jovens ajudaram os idosos e as viúvas a construírem suas casas. Eles já construíram quatro casas. Hoje estamos planejando construir outra casa. Também limparemos a fonte de água para as pessoas usarem. Nossos outros projetos de serviço foram todos destruídos, mas vamos retomá-los de novo, logo que o grupo se reunir. Vamos também replantar as árvores de nozes.

Isangel

De um crente local​: “Depois do ciclone eu decidi, após consultar com um membro da Assembleia Espiritual Nacional, oferecer meus serviços como voluntário no Gabinete de Gestão de Desastres do Governo Provincial da Sede. ​Tivemos que organizar o Gabinete de Gestão de Desastres para responder eficazmente às necessidades das pessoas, distribuindo os donativos que estava sendo doados pelas organizações de ajuda. O Escritório teve de recolher estatísticas para poder distribuir os suprimentos de emergência efetivamente. Usamos as ferramentas e instrumentos que eu tinha aprendido, enquanto servia como um coordenador. Dividimos Tanna em setores e recolhemos estatísticas de acordo com bebês, crianças, pré-jovens e adultos. Também introduzimos os princípios bahá’ís da consulta, ação e reflexão. O membro da Assembleia Nacional e eu gerimos o Desk Bahá’í no Gabinete. Muitas organizações de ajuda se aproximam de nós quando se deparam com um obstáculo. Sugerimos que eles trabalhem com os chefes e consultem as pessoas nas bases.

Também sugerimos que o Gabinete comece a sua atividade todas as manhãs com orações. Há oito seções no Gabinete. Inicialmente eles não sabiam como consultar e era difícil avançar. Quando explicamos a eles a importância da consulta e da reflexão, e os princípios que precisam ser usados pelas pessoas que consultam, isso ajudou a dar início às atividades. Há cerca de 15 organizações de ajuda de muitas partes do mundo, e o Desk Bahá’í ajudou a conectar essas organizações. Muitas vezes eles se aproximam para entender o que está acontecendo e como eles podem ajudar.

Os princípios da Fé, as ferramentas que aprendemos a utilizar ao longo do processo de expansão e

consolidação, e nossa familiaridade com Tanna humanitário. As qualidades que adquirimos ao longo dos anos e as capacidades que desenvolvemos enquanto servimos à Causa tem realmente nos ajudado a lidar com as consequências do ciclone. Por exemplo, a capacidade de ler a realidade de uma situação, a coleta de estatísticas, o planejamento, a consulta, a reflexão, a sistematização, a elaboração de relatórios;; tudo isso tem sido fundamental na eficácia da operação de ajuda humanitária durante as duas primeiras semanas após o ciclone. Temos consultas todas as manhãs e reflexões todas as tardes”.

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