COMUNIDADE BAHÁ'Í DE CAMPINAS

A Regra Áurea e a unidade das religiões

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O texto a seguir foi escrito por Luis Henrique Beust e distribuído para a comunidade bahá’í de Campinas em Abril de 2014. À luz do terrível atentado inspirado por motivos racistas ou religiosos que matou 9 pessoas dentro de uma igreja no Estados Unidos esta semana, resolvemos publicar de novo o texto em nosso blog para reforçar a mensagem de amor ao próximo e de unicidade do gênero humana, fundamental na Fé Bahá’í e nas grandes religiões.

Estamos acostumados a enxergar as religiões como entidades distintas entre si. Somos ensinados a ver mais diferenças do que semelhanças entre elas. E, em especial, aprendemos a considerar a nossa religião (ou a que pertence à nossa cultura) como a certa, a verdadeira, e todas as demais como simples fantasias, se não falsidades.

Entretanto, quando nos dispomos a estudar as diversas religiões mundiais sem preconceito e com uma abordagem ao mesmo tempo científica e compassiva, fica evidente que elas têm muito mais em comum do que se suspeita. Na verdade, elas aparecem como variações de um mesmo tema universal: 1) o Criador, 2) Sua Criação, 3) o Amor do Criador por Suas Criaturas, 4) a Revelação do Criador às Criaturas e 5) Seus ensinamentos para que elas tenham a salvação.

A Revelação de Deus é sempre atribuída a um Intermediário, um Messias, um Profeta, um Manifestante. Os nomes de alguns d’Eles foram preservados pela História: Krishna (Hinduísmo), Moisés (Judaísmo), Zoroastro1 (Zoroastrismo), Buda (Budismo), Jesus Cristo (Cristianismo), Maomé (Islamismo), o Báb (Fé Bábí) e Bahá’u’lláh (Fé Bahá’í), mas muitos foram esquecidos na milenar revolução das eras.

Se nos dispusermos a investigar as semelhanças entre as diversas religiões mundiais, não será difícil perceber que os ensinamentos espirituais de todas elas são idênticos. Todas, sem exceção, ensinaram o amor a Deus e o amor ao próximo acima de todas as coisas. E, também, todas ensinaram a bondade, a justiça, a veracidade, a compaixão, o perdão, a honestidade, a fidedignidade e todas as demais virtudes e valores morais.

Nenhuma religião ensinou o ódio, o desamor, a mentira, a injustiça, a impiedade. Então, por que diferem? Bahá’u’lláh (1817e1892), o Fundador da Fé Bahá’í, ensinou que as religiões têm duas grandes dimensões: 1) a dimensão espiritual e 2) a dimensão social. Na dimensão espiritual, todas são idênticas: todas ensinam o bem e condenam o mal; mas na dimensão social, os ensinamentos das religiões são adaptados à realidade histórica dos povos entre os quais nascem. Ou seja, as religiões atendem aos requisitos espirituais, sociais e culturais do povo e da época em que nascem. São ensinamentos como jejum, divórcio, restrições alimentares, etc.

Segundo esta visão, as diversas religiões podem ser vistas como diferentes ilhas, que, na superfície da água, parecem separadas, isoladas entre si, mas que, no leito do oceano ou do lago, estão todas unidas numa só fundação. Bahá’’u’lláh escreveu:

“Sabe tu, seguramente, que a essência de todos os Profetas de Deus é uma e a mesma. Sua unidade é absoluta. Diz Deus, o Criador: Não há distinção alguma entre os Portadores de Minha Mensagem. Todos têm apenas um objetivo; seu segredo é o mesmo segredo. […] É claro e evidente, pois, que qualquer aparente variação na intensidade de sua luz não é inerente à própria luz, mas sim deve ser atribuída à receptividade variável de um mundo que sempre muda.”

Bahá’u’lláh também compara as religiões à educação que as crianças recebem na escola, e os diferentes profetas como os diferentes professores, incumbidos de transmitir o conhecimento adequado à idade e ao desenvolvimento das crianças em cada ano escolar. Todos os professores, apesar de distintos, têm um único propósito: fazer com que as crianças avancem no conhecimento e na sabedoria. A este processo Bahá’u’lláh chama de “Revelação Progressiva”, ou seja: Deus Se manifesta progressivamente, através de vários Enviados divinos, que fundam as diferentes religiões, conduzindo a humanidade a graus cada vez mais elevados de percepção, entendimento, espiritualidade e desenvolvimento social.

Como demonstração desta unidade de ensinamentos na diversidade das religiões, podemos tomar a chamada “Regra Áurea” existente em todas as tradições espirituais da humanidade. Ela é entendida como o “santo dos santos”, a essência, o cerne, o núcleo fundamental dos ensinamentos de todas as religiões. E, ao longo dos milênios, com palavras distintas, ela sempre foi a mesma.

Hoje, no século XXI, é possível, com a perspectiva histórica e científica que o conhecimento atual proporciona, eliminar dos corações e das mentes humanas o preconceito e o ódio religioso. Certamente isso seria o mais digno da fé de um homem: seguir a Regra Áurea de sua religião de modo pleno, verdadeiro e universal e, assim, encontrar nos seguidores de todas as demais religiões irmãos na jornada misteriosa e inelutável em direção ao Criador.

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